Não foi a estreia que Fernando Santos desejava à frente de
Portugal, seguramente. No entanto o teste a sério e estreia também mais a sério
será na terça-feira com a Dinamarca (infelizmente Fernando Santos não estará no
banco por estar a cumprir castigo).
Vamos passar a notas sobre o que se passou dentro das quatro
linhas do Stade de France. Fernando Santos decidiu apostar num 4x4x2 “losango”
com Danny a médio mais ofensivo no apoio a Nani e Ronaldo que jogaram na frente
com liberdade de movimentos. Não tinham posição fixa. Fernando Santos trouxe da
Grécia a sua forma de defender com marcações muitas vezes em HxH, pouco
controlo da largura e bloco médio baixo. A mobilidade de Matuidi, Pogba,
Griezmann e Valbuena deu cabo do meio campo português, sobretudo na primeira
parte. Passivos na pressão ao portador da bola e quase nula a pressão dos 3
homens da frente, Ronaldo, Nani e Danny. Os nossos laterais estiveram demasiado
expostos e sofreram bastante com isso. Desastroso Cédric a posicionar-se para
fazer as devidas coberturas aos companheiros e permeável no 1x1. Eliseu idem. A
falta de ajuda dos extremos e a lentidão do meio campo em bascular para a zona
da bola deixava muitas vezes Eliseu e Cédric em situações confrangedores, pois
apanhavam-se sempre em inferioridade (1x2) – lateral e extremo da França vs. o
nosso lateral. Assim torna-se complicado defender bem. Admito que a falta de
tempo tenha prejudicado a preparação da equipa para o processo defensivo mas os
princípios usados não são, a meu ver, os melhores. Os jogadores estão perto uns
dos outros mas por vezes mal posicionados para oferecer uma cobertura ao colega
que sai ao adversário. As referências individuais também são algo a rever.
Ofensivamente é como já tinha dito na análise que fiz à
Grécia. Coisas interessantes. Apesar de, ser
também tudo muito individualizado
e a procura do Ronaldo (não censuro) continua a ser uma evidência clara. Hoje
notou-se que Nani, Danny e Ronaldo têm a missão de ser os três homens que
carregam a equipa para a frente. Não ajudavam a defender para que estivessem lá
na frente prontos para sair em transição rápida. Novamente admito que a falta
de tempo para assimilar melhor as ideias de Fernando Santos tenham pesado e
usou-se o mais simples: individualizar as acções em vez de combinações e ideias
mais claras atacar. Os médios agora assumem mais a bola, antes era os defesas
que na primeira estação saiam a jogar, e na maior parte das vezes com passe
longo a lateralizar.
A segunda parte foi melhor e o que melhorou também sobretudo
foi a forma como pressionamos melhor e a atitude dos jogadores em querer virar
o jogo. Mais um erro defensivo e mais um golo da França, ainda para mais numa
altura em que tínhamos mexido na equipa para ir à procura do 1-1. João Mário
entrou muito bem. Muita classe. O homem do jogo da nossa parte foi sem dúvida o Pepe. Esteve imperial a cortar lances ofensivos da França e foi ajudando
Cédric a fechar o lado direito da defesa. Foi bom rever Ricardo Carvalho. Tem
de ser titular, ponto. Bom regresso também do Tiago.


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