«Saída de Enzo? Estou cá para arranjar soluções» - Jorge Jesus.
A carreira de treinador de futebol é dura e ainda mais se torna quando queremos alcançar a perfeição. O treinador no seu dia a dia vê-se frequentemente a lidar com situações à qual é alheio e que o obrigam a que tenha de usar "armas" inferiores para atacar os objetivos propostos. Seja lesões, castigos ou vendas, haverá sempre algo.
Neste caso concreto vemos que Jorge Jesus perdeu mais um dos seus jogadores importantes dentro do seu modelo de jogo. Já não bastava ter perdido o Oblak, o Siqueira, o Markovic, Garay, Rodrigo e André Gomes. Agora vê partir para o Valência o Enzo Perez, um jogador que era o completo do treinador em campo. Do 11 base da época passada (do Benfica campeão) a qualidade começa a ser menor.
Jorge Jesus terá uma vez mais de reinventar uma solução para colmatar uma saída, desta vez a saída de um jogador que para a posição em específico é bastante complexa. Há um Benfica com Enzo e outro sem o Enzo. O próprio Jorge Jesus admitiu no final do jogo com o Nacional que é mais complicado substituir Enzo do que foi substituir Matic na época passada. É uma posição onde requer um jogador com determinadas características individuais. Enzo acrescentava muito intensidade ao Benfica, quer com bola quer sem bola. Um rompedor quando o tinha de ser ou um jogador mais de posse e de acalmar o jogo, tem um raio de acção enorme durante o jogo. Dava amplitude e profundidade pelo corredor central, atacava (bem) e defendia (bem), no 1.4.4.2 de JJ entendia como ninguém o que era pretendido para a posição de "8". Conseguia ao mesmo tempo ser "10". Um jogador muito completo que irá agora abraçar um novo desafio.
Teoricamente dentro do plantel há dois jogadores que podem suceder a Enzo. Pizzi e Talisca. Ambos não dão a mesma qualidade que Enzo, mas, a curto/médio prazo podem ser as opções para a posição mais complexa do modelo de jogo de Jorge Jesus. Há ainda uma outra hipótese, não muito discutida, mas que para mim pode ser uma garantia de qualidade. Nico Gaitán. Isto se nenhum clube com resmas de dinheiro não vier a Lisboa largar uma nota negra por ele. Seria péssimo dado o timing em que estamos. Gaitán é um "10" por natureza, tem classe, recorte técnico fino, criatividade e intensidade. Pode ser opção.
De uma coisa tenho a certeza absoluta, Jorge Jesus não vai abdicar do seu 1.4.4.2 que já usa desde 09/10 no Benfica. Veremos qual será a solução encontrada por Jorge Jesus. Uma vez mais o treinador português terá de ajustar a sua forma de jogar porque a sua equipa, o Benfica, foi obrigado a vender. Quem treina em Portugal tem de contar com esta filosofia. Comprar, valorizar e vender.

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