Análise a 2014.

O Benfica. Jorge Jesus conseguiu nos primeiros 6 meses do ano formar um Benfica demolidor, um Benfica campeão, onde praticava bom futebol, tinha bons praticantes e o seu modelo de jogo vivia uma das melhores fases desde que chegou ao Benfica em 2009/2010. Uma época que não foi exemplar por não ter ganho a Liga Europa. Contudo, esta época arrisca-se a ficar com um dos planteis mais medíocres desde que está no Benfica. Os princípios de jogo continuam lá, o modelo de jogo de Jesus é o mesmo, e o 1.4.4.2 mantém-se. O que tem mudado é as individualidades que esta época são menores em qualidade. E ainda mais ficou quando perdeu Enzo para o Valência. O modelo de jogo de Jesus é bom mas se não tem os melhores praticantes fica mais débil e fica mais complicado de conseguir bons resultados. Melhor, torna-se mais complicado de jogar contra equipas maiores, como foi o caso do fracasso na Liga dos Campeões. Ofensivamente o Benfica vive imenso da velocidade das suas transições. Aqui é mais individualista que colectivo. Falta um pouco mais de criatividade ao modelo na fase ofensiva, apesar de não ser mau e ter bons princípios. Há linhas de passe, há movimentos de apoio e sempre superioridade na ocupação de espaços. Jorge Jesus devia de ter um pouco mais de criatividade e inventar novas soluções para o seu jogo ofensivo que não seja só a velocidade em todos os momentos. Eu gostava de ver Jorge Jesus noutro desafio onde pudesse treinar jogadores de grande qualidade individual. Seria interessante. Para terminar, o onze que seria, talvez, o melhor do Benfica:  J. César; Maxi, Luisão, Jardel/Lisandro e Sílvio; Fejsa, Amorim, Sálvio/Ola John e Gaitán; Lima e Jonas. 

O Porto. Lopetegui vem para uma nova realidade, uma realidade que não estava habituado até então. Vem da seleção jovem de Espanha e terá de se adaptar à realidade de treinar um clube diariamente, ter de treinar todos os dias e jogar todos os fins de semana e, por vezes, de 3 em 3 dias. Gerir um balneário com egos de jogadores que já ganharam (muito) e de outros que estão com sede de vencer. Além disso, é um país novo. Ao Porto também chegou novos jogadores e com imensa qualidade individual. É preciso dar tempo ao tempo, de adaptar o treinador e adaptar os novos jogadores. Deixem Lopetegui trabalhar porque as suas ideias de jogo globalmente são boas, muito boas. Contudo, tem de dar maior importância ao jogo interior. Meter mais jogadores dentro do bloco adversário, chamar mais Jackson para fora do bloco adversário para criar dúvida e espaços, e os extremos a fazer diagonais para dentro. Explorar melhor os laterais, correndo mais risco, mas terá de certeza mais sucesso. Dar-lhes a largura e profundidade. Alex e Danilo são de elite mundial e dão conta do recado. Atrair os adversários para si para criar espaços no meio onde há criatividade. Óliver, Quintero, Evandro... Além disso, não querer sempre variações de flanco exageradas, demasiada largura nas alas. Melhorar o seu onze com outros jogadores como Evandro, Quintero e Rúben Neves. O meu onze seria: Fabiano (Hélton se possível); Danilo, Lichnovsky, Indi e Alex Sandro; Rúben Neves, Evandro e Óliver; Quintero, Brahimi e Jackson. 

O Sporting. Marco Silva já merecia ser aposta de um grande. O Sporting caminha para voltar a entrar na luta do título nacional, mas ainda tem muito por crescer. Começaram por ser uma equipa a defender mal, ideias ou qualidade individual, discutível. Foram melhorando a passo que ofensivamente estavam a ser uma equipa muito boa. Bons princípios de Marco Silva. Bom jogo interior quando entrou João Mário e Montero na equipa e com o regresso de Nani. De momento nota-se algum estagnamento no jogo ofensivo do Sporting. Sobretudo dada a indisponibilidade de Nani nos últimos jogos. É uma equipa boa, com boas individualidades jovens mas ainda limitada na quantidade e qualidade. Pensar em ser campeão ainda é demasiado cedo. Marco Silva terá de apostar mais em Montero. Além disso, há jovens na B que podem fazer parte do plante principal. Dada a fraca qualidade dos centrais Tobias podia fazer dupla com Paulo Oliveira. Chaby, Iuri Medeiros, Podence e Gauld podem ser mais aposta de Marco. Esgaio também. O meu onze seria: Rui; Cédric, Paulo Oliveira, Rossel e J. Silva; William, André Martins e João Mário; Nani, Carrilo e Montero. 

Em Espanha. O Real Madrid, esta época, só não é campeão se não quiser. Tem muito boas individualidades e um treinador que gosta de futebol positivo. Não tem receio em por em campo os melhores, veja-se o seu meio campo em 1.4.4.2 - Modric e Kroos como interiores. James e Bale/Isco como alas. Defensivamente, aí sim, há que melhorar. Além disso, em organização não são uma equipa muito forte e não dominam de todo o adversário. Veremos como será a regularidade. Luís Enrique no Barcelona começou muito bem com princípios a lembrar Guardiola, pressão alta, criativos em campo, linha defensiva alta e os extremos por dentro. Apostava também na juventude. Ao primeiro desaire recuou e mudou tudo que era bom no Barcelona para ser mais resultadista. Não está a respeitar o seu próprio processo. Ainda vai a tempo de mudar. Um dos destaques desta liga é o Paco Jemenez. Treinador do Rayo. Merece um desafio melhor com individualidades melhores para por em prática o seu bom modelo de jogo. 

Na França. Bielsa continua a dar cartas e continua a ser um treinador sem medo de por em prática as suas melhores ideias de jogo, mesmo não tendo no plantel do Marselha um plantel rico em individualidades. O PSG tem um adversário à altura e terão dificuldades maiores para renovarem o título. 

Na Alemanha. Guardiola continua a fazer uma época muito interessante no Bayern. Depois de uma época de adaptação ao país, à equipa e às características da Bundesliga, o catalão desta vez decidiu apostar firmemente nas suas ideias do seu modelo de jogo. Na época passada quis respeitar em demasia a Bundesliga. A facilidade com que muda a disposição em campo dos jogadores e eles continuam a render é soberbo. Isto é trabalho de Guardiola. Tanto jogam em 1.4.3.3, 1.4.2.3.1, 1.3.4.3, e 1.3.5.2. Alonso foi também uma ótima adição à equipa. A regularidade em todos os momentos de jogo é muito bom. Pena as lesões que têm tido nos últimos tempos. 
Klopp?!? Que se passa?! Esta época tem sido horrível para o Dortmund, apesar da boa campanha na Liga dos Campeões. Internamente tem sido um desastre. Qualidade individual há, boas ideias de jogo há. Também há lesões, mas isto não pode ser desculpa para sempre. Possivelmente está na hora de uma mudança nas ideia de Klopp e voltar a fortalecer a sua liderança. 

Em Inglaterra. Depois de uma época muito boa do Liverpool, onde não foram campeões pode escorregar (literalmente) nas últimas jornadas, Rodgers esta época tem feito uma época abaixo das expectativas. Rodgers tem boas ideias de jogo, mas tem de juntar em campo os seus melhores jogadores. Markovic tem de jogar mais, Coutinho e Lallana em campo com Sterling. E Balotelli não veio fazer para o Liverpool. Reformula isso Rodgers. 
Wenger. Um treinador que admiro pela sua aposta em jovens e pelas suas ideias de jogo no processo ofensivo. É um treinador que dá primazia à técnica e à criatividade e pratica um futebol ofensivo do melhor que há em Inglaterra. Porém, defensivamente está ultrapassado. Muito maus a defender, e com isso o Arsenal nunca consegue ser uma equipa organizada e regular. 
Mourinho. Conseguiu esta época voltar a ter a criatividade que desejava. Tem um avançado que dá primazia às rupturas e aos movimentos de profundidade, mesmo como ele gosta. Tem em Fàbregas o seu melhor jogador, no momento. Hazard e Matic logo de seguida. Pratica um futebol de posse e transições, mas o que ele gosta mesmo é que a equipa mantenha a boa organização defensiva. Essa obsessão por defender muito bem está-lhe a tirar dosses de bom futebol ofensivo. Esperemos que não recue e que mantenha aposta na criatividade e em boas ideias para o processo ofensivo. Linhas de passe, movimentos de apoio e jogadores dentro do bloco do adversário. 
Van Gaal. Já nem parece o mesmo. Tem cometido vários equívocos ao longo dos últimos tempos. Desde o modelo de jogo e o seu 3.5.2 no Brasil com a Holanda, em que chegou às meias finais mas não era, de todo, o melhor. E em Manchester dispensou Nani e Kagawa para ficar com Valência e Young. Não está a tirar o melhor de Falcao e chegou rapidamente à conclusão que Dí Mária afinal não é tão bom como parecia, sobretudo em organização ofensiva. Espero que reformule as suas ideias de hoje e volte às que o deram o sucesso na década de 90 e inicio dos anos 2000. 

O Falar de Futebol deseja a todos os leitores um feliz 2015. E que seja um ano de muito futebol!

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