Notas soltas do Clássico Espanhol


- Começar por dizer que este Barcelona não é, de todo, o mesmo Barcelona que nos habituou a guardar a bola, a tomar a melhor decisão, com paciência e qualidade na circulação da mesma e não tem pausa quando tem a bola. É um Barcelona que joga mais na vertigem, tem (mais) velocidade, parte mais o jogo e dá, às vezes, a bola ao adversário. Luís Enrique tem de rever alguns princípios que fizeram um legado de história com o Guardiola no Barcelona.

- A nulidade do meio campo 'Blaugrana'. O Real Madrid conseguiu superiorizar o seu trio, Modric, Isco e Kroos, a Mascherano, Iniesta e Rakitic, pressionaram mais, recuperaram mais bolas e conseguiram gerir melhor os ritmos de jogo. Tinham tempo e espaço para pensar. Pouco pressionante o meio-campo do Barcelona, sobretudo durante a primeira parte. Busquets faz falta a este meio campo do Barça, como fez Modric ao meio campo do Real Madrid quando esteve de fora. Mascherano, a 6, não consegue dar o mesmo que dá o catalão. É mais precipitado e raras são as vezes que coloca bem os seus apoios para anular o adversário. Tem responsabilidades no golo, a par de Dani Alves que não fecharam o espaço central.

- Menção honrosa para Benzema, esteve em todas as boas jogadas ofensivas do Real Madrid. Teve
pausa com bola, teve temporização e tomou sempre sempre a melhor decisão possível. Enquanto o Real jogou em organização ofensiva ele esteve sempre bem. Acabou 'engolido' na segunda parte por um ascendente da equipa do Barcelona, mas sobretudo por Piqué, que foi dos melhores, se não mesmo O melhor do Barcelona. Limpou tudo.

- Suárez, Além do golo que marcou, que foi muito bom, continua a não encher as medidas aquilo que deve ser um avançado no Barça, continua a ser mau fora da área, a tomar más decisões e não consegue ter boas recepções e passes, vai evoluir, como é evidente, mas neste momento é um jogador que não encaixa (ou não encaixava) naquilo que é o modelo de jogo mais usado em Barcelona. Tem de evolui em determinados aspectos do jogo.

- À direita e em largura não funciona. Falo de Messi, claro. Passou a primeira parte toda desligado do jogo, longe e numa zona onde lhe é tirada a influência toda, ele tem de estar no centro do jogo, para receber, fixar, enquadrar e soltar. Na primeira aparição que teve no centro do jogo, teve logo uma arrancada e desestabilizou logo o meio campo madrileno. Pode jogar na direita, mas mais perto do meio campo e não tão encostado à linha. Ronaldo além do golo também esteve discreto.

- Conclusão. Uma vitória que acaba por ser justa, mas o empate também não encaixava mal. Um jogo de vertigem, com intensidade e incerteza. Não deixar de dizer que ontem foi a noite dos brasileiros, primeiro Marcelo com uma primeira parte muito boa e com chegada à frente e ainda alguns dotes técnicos interessantes. Depois, no segundo tempo foi a vez de Neymar, que vestiu a pele de Messi e fez em água a cabeça dos defesas do Real Madrid com duas arrancadas que podiam ter terminado em golo.

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