Notas sobre o clássico

O jogo que prometia ser escaldante, prometia ser o jogo da época. Não foi, de todo. Até pelas características do jogo dava antever que fosse assim ou parecido. Por norma quando há muita ansiedade, muito “folclore” sobre os clássicos é quando estes mais frouxos são. Este tinha a particularidade de praticamente sentenciar o campeonato (vitória do Benfica) ou de dar ao Porto um novo ar (vencer por 1 ou mais golos). Além do mais foi depois da derrota europeia do Porto. Todos queriam ver como iam reagir os jogadores do Porto.


Lopetegui surpreendeu bastante logo a começar pelo facto de apostar em Hélton para a baliza em detrimento de Fabiano (teve uma noite para esquecer em Munique) que era o titular para esta época. Mas as surpresas não foram só estas. Mexeu no meio campo com a entrada de Rúben Neves e Evandro, saindo Herrera e o Quaresma, isto porque Óliver Torres jogou como extremo, como extremo, apenas, porque o suposto era ele vir para dentro, mas acabou por não sair da zona lateral muitas vezes. Foi bem pensado por Lopetegui, porque sabe que o Benfica na zona central joga só com Pizzi e Samaris, deixando Casemiro com Jonas, anulando assim o que poderia ser o 3º médio. O objectivo era criar superioridade numérica no meio. E esteve bem o Porto aí na primeira parte, contudo Óliver deveria de ter jogado ainda mais por dentro. O Porto esteve melhor e conseguiu chegar mais à baliza encarnada. Mesmo com ascendente do Porto, a organização defensiva esteve sempre muito bem e os centrais foram os melhores do jogo. Na segunda parte Lopetegui acabou por ser ele anulado. Herrera acabou por ser uma má aposta, o meio do Benfica começou a ficar em igualdade, e ainda mais ficou quando Hernani e Quaresma entraram, 4x3x3 clássico, com largura nos corredores. Fejsa para dentro do campo, André Almeida fresco para parar os flanqueadores do Porto e o jogo bloqueou, basicamente. O Porto não saiu como cria, os jogadores estavam cansados e as ideias foram desaparecendo. 

Jorge Jesus mostrou a sua experiência e percebeu que acima de tudo o melhor era não fugir aos seus princípios. Ideia de jogo habitual, sistema táctico habitual e o onze habitual (sem Salvio, mas por lesão), incluiu Talisca para dar irreverência ao jogo. Foi talvez o único erro de maior. Um Benfica mais pragmático e mais na expectativa mas nunca abdicando do seu jogo entrelinhas com Jonas e Gaitán e os passes curtos e rápidos entre médio – avançado - lateral.


Um jogo que não irá ficar para a história como se pensou, o Benfica continua líder (mais ainda) e com 3 pontos (4 se contarmos com o confronto direto) sobre o Porto. Resta à turma de Lopetegui vencer os jogos que faltam e esperar por um deslize do Benfica. O que será complicado. O Benfica caminha a passos largos para o bi-campeonato. 

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