Ontem em Camp Nou assistimos a um
dos mais belos jogos da Liga dos Campeões desta época e atrevo-me a dizer que
das últimas edições, foi dos melhores jogos já vistos. Duas equipas com ideias
similares onde o culto de ter a bola esteve sempre presente, onde a bola foi
sempre bem tratada e onde o jogo foi dos jogadores e dos criativos. Uma vitória
categórica do Barcelona onde a qualidade individual e Messi (pois claro!)
fizeram toda a diferença. O Barcelona tem jogadores que têm um maior culto de
posse de bola, têm melhor passe e recepção e isso fez toda a diferença.
O Bayern Munique entrou igual a
si mesmo, uma equipa que queria assumir o jogo em posse, em construção de jogo
com toque curto por todo o campo (até dentro da pequena área com Neuer) e a
pressionar alto. Guardiola entrou num 3x5x2 para dar igualdade numérica na
defesa para o trio MSN (Messi, Suárez e Neymar) e ocupar melhor o meio campo
com 5 médios (Lahm, Bernat, Bastian, Alonso e Thiago), o objectivo era criar
superioridade para o trio Busi, Rakitic e Iniesta. O Barcelona não foi na
expectativa e pressionou igualmente alto, a construir também desde trás e
sempre a querer ter a bola para controlar o jogo e retirar protagonismo ao
adversário. Jogou no habitual 4x3x3. Guardiola ao fim de 15’ minutos de jogo
foi obrigado a mudar o esquema de 3 centrais para a linha habitual de 4 (2
laterais – Rafinha e Bernat -, e 2 centrais – Benatia e Boateng) dadas as
dificuldades que a linha defensiva estava a sentir para travar a verticalidade e
profundidade que o trio ofensivo do Barça estava a ter. Duas ocasiões em que
Suárez ficou na cara de Neuer. O Barcelona esteve muitíssimo bem em parar o e
meio campo do Bayern e a anular a dupla Lewandowsi – Muller que só dispuseram
de uma situação clara de golo. O Barcelona conseguia roubar a bola ao Bayern e
assim o jogo dos alemães ficava mais instável e a equipa estava a reagir mal à
transição defensiva.
Uma primeira parte sem golos, mas
com bom futebol, um jogo mesmo sem golos pode ser um jogo bom de se ver. E este
foi. A segunda parte continuou com a mesma toada, com o Bayern e o Barça cada
um a construir sempre desde trás e com toque e passe curto. O jogo era deles,
dos jogadores, e de mais ninguém. Guardiola começava a ficar impaciente com a falta
de situações de golo que a sua equipa não conseguia criar, nem tão pouco chegar
perto da baliza do alemão Ter Stegen. Que falta faz ao Bayern jogadores mais
criativos no meio campo. Só havia Thiago ontem. A partir do minuto 77’ o Camp
Nou assistiu ao “monstro” que Guardiola lapidou. Messi entrou em cena com um
remate potentíssimo que só acabou no fundo das redes de Neuer. Guardiola estava
desesperado por ver Bernat perder a bola numa zona proibida e ainda para mais
com Messi ali tão perto. Aos 80’ assistimos ao golo da noite. Rakitic descobre
Messi e este, com a sua técnica, sentou (perdoe-me a expressão) Boateng que
parecia um baralho de cartas a cair. Aquilo é futebol, aquilo é técnica pura! O
que assistimos depois do 2-0 foi um Bayern com o seu porta-aviões completamente
arrombado e que estava ali à beira de sair de Camp Nou completamente destruído.
Neymar sentenciou o jogo fazendo o 3-0.
Transição rápida, passe de Messi e Neymar estava ali na cara de Neuer para
fazer o 3-0. 2 Golos e 1 assistência para La
Pulga. Jogo 100 de Messi na Liga dos Campeões.
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