Disputou-se neste domingo um dos jogos mais apaixonantes e
intensos do futebol argentino e mundial. O Boca recebeu no seu mítico estádio
“La Bombonera” o eterno rival River Plate. Ambas as equipas partiam para esta
ronda com os mesmos pontos (24) e ambos líderes do campeonato argentino.
Ambos os treinadores (Arruabarrena no Boca e Gallardo no
River) mantiveram a suas estruturas tácticas, o Boca no habitual 4x3x3 e o
River também no seu habitual 4x4x2. Dois meios campos intensos e com diferentes
formas de encarar o jogo, até na forma como eram construídas a primeira fase de
construção de jogo. O Boca mais directo à procura da profundidade e largura dos
seus dois extremos (Chávez e Carrizo) e o River Plate numa toada mais de posse
e paciência com bola, atentar congelar o jogo o mais tempo possível. Uma
primeira parte nem sempre bem jogada, tal como foi o jogo em quase o tempo
todo, não muito bem jogado mas com alguns momentos de intensidade e lances bem
construídos que podiam ter dado em golo (uma bola ao ferro para cada equipa). A
chave do jogo esteve na forma como os dois técnicos operaram as substituições
na segunda parte. Esteve melhor Arruabarrena. Abdicou de um extremo “puro” para
ganhar o meio campo, tirou Chávez para meter Fernando Gago (velho conhecido do
continente europeu) e com isso ganhar consistência e um criador / pensador do
jogo, começou agarrar a equipa no meio campo que superiorizou-se aos 4 médios
do River (Kranivitter, Sanchez, Rojas e Driussi). Enquanto Gallardo apostou na
veterania de Cavenaghi e na velocidade de Martínez, abdicando de Teo e Driussi
(miúdo de 19 anos com categoria), ganhou pouco (ou nada) com estas alterações,
perdeu criatividade no meio e Cavenaghi não entrou bem, ao contrário de Perez
(Boca) e de Pavon, ganhou novamente um extremo fresco, mas que gosta de pisar
terrenos interiores e Perez que veio dar uma nova frescura ao meio campo
substituindo Meli (bom médio, um 8 de transporte de bola). Aos 84’ (Pavon) e
aos 87’ (Perez) a “La Bombonera” foi abaixo. Quando o jogo parecia que ia dar
em empate eis que surgem dois golos seguidos do Boca que deixaram o River (e o
seu treinador) sem reacção. Arruabarrena ganhou no duelo dos bancos, conseguiu
mexer melhor e em zonas que deram uma maior dinâmica ao futebol do Boca. Gago
primeiro e depois Perez vieram dar uma maior frescura, intensidade mas
sobretudo novas ideias ao meio campo que parecia começar a emperrar.

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